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19 nov 2020, 09h00

Nem o apagão foi capaz de parar o Rádio

Primeiro, a pandemia de covid-19. Depois, as convulsões da política e as eleições brasileiras e estadunidenses. Por fim, o apagão no Amapá. Este 2020 ficará marcado como o ano das situações extremas. E é justamente em situações assim que o rádio conquista ainda mais espaço e renova sua importância.

A falta de energia elétrica impacta todos os setores, incluindo o de comunicação. Veículos sofrem não apenas com a redução forçada da capacidade de produção e transmissão, mas também de recepção. Muitos amapaenses ainda não podem ligar seus aparelhos de TV e carregar seus celulares em casa. Internet e telefone funcionam de maneira precária. Até sair para comprar um jornal tornou-se algo delicado de ser feito, dado o aumento vertiginoso da criminalidade.

Mesmo diante de tantas dificuldades, o rádio segue no ar e se fazendo ouvir. Ocupa posição de referência tanto para a sociedade em geral quanto para as demais mídias, pois gera conteúdo local que pauta as discussões e ajuda o cidadão a tomar decisões neste momento tão delicado.

Uma das maiores forças do rádio, meio centenário e pioneiro no campo da eletrônica, é a sua simplicidade. E isto se comprova, por exemplo, no ato de escutar rádio. Ele não exige que a pessoa compre aparelhos caros, saiba ler ou escrever, tenha domínio de informática ou noção básica de inglês. Também não envolve qualquer tipo de pagamento por parte da audiência. Trata-se, portanto, de um serviço público com alto impacto social.

A simplicidade também lastreia outro valor fundamental do rádio: a resiliência. A capacidade de se recompor e superar desafios. O popular “enverga, mas não quebra”. A linguagem do rádio, tão acessível e direta, resiste aos impactos da concorrência crescente porque se adapta às particularidades de cada período histórico. Foi assim, por exemplo, quando as emissoras trocaram os grandes auditórios pelos pequenos estúdios, construindo uma relação mais próxima com a audiência, que deixou de se concentrar na sala de estar. Em todo lugar é possível avistar alguém carregando um aparelho — de um simples rádio de pilha até um sofisticado smartphone — sintonizado na sua estação preferida.

O papel exercido pelo rádio durante a crise do Amapá é mais uma prova do valor incomensurável que esse meio possui, a despeito das incontáveis opções de entretenimento e informação existentes nos dias atuais. Conforme já escrevi em outros artigos, mídias não morrem. Elas se acumulam e se complementam, ocupando espaços específicos dentro da rotina de cada indivíduo, mesmo que ele não disponha de energia elétrica, afinal, enquanto houver rádio — nem que seja a manivela —, haverá serviço, diversão e companhia.

Fonte: http://aesp.org.br/noticias_view_det.php?idNoticia=11438