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22 dez 2020, 15h39

Nielsen aponta que o rádio norte-americano já recuperou 97% do alcance

Com a retomada de várias atividades econômicas, o comportamento pré-pandemia é retomado nas escutas de rádio nos Estados Unidos

 O rádio norte-americano recebeu boas notícias da Nielsen, instituto que mede o consumo de diferentes plataformas de mídia nos Estados Unidos. Segundo os dados mais recentes coletados nos principais mercados de lá, o rádio já recuperou 97% de seu alcance em relação ao nível que era registrado em maio, ou seja, no período pré-pandemia do novo coronavírus. Esse avanço pode ser um sinal positivo para o rádio brasileiro conforme as medições por aqui sejam atualizadas nesta reta final de 2020.

 Nos Estados Unidos, o rádio foi mais impactado pela pandemia, não só pela maior oferta de mídia durante o isolamento social, mas também por depender dos deslocamentos diários da população norte-americana. Com essa mudança de rotina durante a pandemia, o rádio até conseguiu manter um elevado nível de escuta, com um crescimento significativo da audiência nas residências. Porém, as escutas feitas nos trajetos e fora de casa são fundamentais para o rádio nos norte-americano.

 E, nesse quesito, a Nielsen aponta que na pesquisa PPM de setembro (medição eletrônica, que vigora nos principais mercados norte-americanos), o alcance é agora de 97% de março e a média das pessoas no quarto de hora está em 90% dos níveis de março. A retomada é impulsionada pelo aumento do deslocamento diário e pelo retorno às aulas.

A Nielsen informa que 61% dos trabalhadores dos Estados Unidos estão se deslocando até o local de trabalho, contra 39% no início de maio, ou seja, um aumento de 56%. E essa tendência de aumento deve continuar nas próximas semanas e meses.

 O instituto também destaca que quase a metade dos alunos (47%) estão frequentando a escola presencialmente em algum nível. E a Nielsen indica que o rádio é a trilha sonora para esses deslocamentos diários, com 62% afirmando que o rádio AM/FM está sempre ligado e 35% afirmam que às vezes.

 A combinação do deslocamento diário para trabalho e levar os filhos para a escola, fez com que o tempo gasto no carro aumentasse, onde a audição de rádio é mais significativa nos Estados Unidos. A Nielsen aponta que, de maio a outubro, o tempo diário gasto no carro cresceu 81%, de 36 minutos em maio para 65 minutos em outubro. Já entre os ouvintes mais assíduos de rádio AM / FM, o tempo diário passado no carro dobrou de 1h06min por dia para 2h11min.

 Rádio: a trilha sonora da recuperação econômica

Ao apresentar os dados da Nielsen, a Westwood One afirmou que “O rádio AM / FM é a trilha sonora da recuperação econômica americana”.

 Em uma reportagem veiculada pelo Inside Radio sobre o assunto, o portal indica que em seus últimos quatro estudos com consumidores, a Nielsen descobriu que ouvintes intensos de rádio AM / FM “são o motor da recuperação econômica da América”.

 De acordo com a Nielsen, uma proporção maior de ouvintes intensos de rádio AM / FM (28%) vai comprar ou alugar um veículo no próximo ano em comparação com os telespectadores de TV mais assíduos (20%).

 Outro ponto destacado pela reportagem do Inside Radio, sobre dados relativos ao mercado norte-americano, é que algumas das principais categorias em que os ouvintes de rádio AM / FM mostram fortes intenções de compra incluem: pedido de entrega (80%); fazer compras fora do mercado (76%); comprar roupas em loja de departamentos (57%); e visitar cafeterias / cafés (50%).

 E no Brasil? O que esperar?

A maior flexibilização de atividades nos principais mercados consumidores ocorre neste momento no Brasil, com destaque para a entrada da fase verde do Plano São Paulo contra o novo coronavírus, onde as medidas menos restritivas atingem cerca de 76% da população paulista (incluindo a capital). E o aumento do movimento já é percebido nas ruas e avenidas das principais cidades brasileiras.

 Forte nas residências, o rádio brasileiro foi menos impactado com o isolamento, segundo dados do Inside Radio 2020 da Kantar Ibope Media. Porém, o deslocamento diário é importante para as emissoras, principalmente nos grandes centros. A expectativa, segundo gestores ouvidos pelo tudoradio.com, é de que a maior circulação deve ampliar novamente o alcance do meio e também auxiliar na recuperação econômica, já que o rádio brasileiro é dependente dos setores de comércio e serviços.