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18 set 2020, 17h34

Rádio é o meio que melhor lida com a crise da covid-19

Credibilidade e audiência do veículo estão em alta na Europa

 O rádio é o meio que parece se sair melhor nesta crise imposta pelo novo coronavírus na Europa. A citação foi feita por Ricardo Henrique, profissional com grande experiência no setor e que hoje vive em Berlim (Alemanha). O radialista se baseou em estudos recentes realizados em vários países europeus, que mostram como o rádio tem se comportado durante a crise da covid-19, meio que vive alta na audiência e na credibilidade.

O radialista brasileiro chamou a atenção para o estudo do “Media Psychology Lab”, da Universitat Pompeu Fabra – UPF (Barcelona, Espanha), que mostrou os hábitos dos ouvintes, o consumo e a credibilidade do meio e o impacto psicológico do rádio durante a crise da covid-19. Esse levantamento apontou que o rádio é “o meio que melhor lida com a crise da covid-19”.

Segundo o estudo, o rádio era consumido individualmente na Europa, mas durante o lockdown esse hábito foi alterado, com o retorno da escuta coletiva, assim como ocorria no passado.

Essa audição coletiva foi feita através dos receptores de rádio (FM, AM e DAB+ em alguns países europeus), como também em dispositivos digitais como caixas de som inteligentes (smart speakers), smartphones e tablets. Isso durante as tarefas rotineiras nas residências, como limpeza, o ato de cozinhar e também a presença de pessoas na sala de estar.

O estudo do Media Psychology Lab também apontou que o público considera o rádio como o meio mais imparcial, mais neutro e mais confiável, algo que também é apontado por outros levantamentos, inclusive aqueles que antecederam o período pré-pandemia. “O rádio é um meio que entretém e faz o ouvinte sentir que está acompanhado”, destacou Ricardo Henrique.

 

Credibilidade

O rádio é o meio de maior credibilidade na Europa. Essa afirmação é baseada em um estudo chamado “Net Trust Index 2019”, realizado no ano passado. Dos 33 países analisados pelo levantamento, 24 deles tem o rádio como meio mais confiável pela população. Nessa lista estão nações como França, Alemanha, Inglaterra, Itália, Espanha, Irlanda, entre outros.

No índice apontado neste estudo pela EBU (Operating Eurovision and Euroradio), que é um resultado percentual entre pessoas na Europa que afirmam que confiam subtraindo o número de entrevistados que dizem que não confiam, o rádio atingiu o patamar de 21%.

O segundo meio no ranking foi a TV, com 2%, imprensa escrita (jornais) com -1%, internet com -23% e, por fim, as redes sociais com -45%. Ou seja, o rádio e a TV foram os únicos meios que alcançaram índices positivos no “Net Trust Index 2019”.

No estudo citado por Ricardo Henrique, o radialista também destacou outro cenário desse mesmo levantamento de 2019. Se expandido o recorte, incluindo outras instituições da sociedade europeia, o rádio aparece como terceiro item geral de maior confiança, atrás apenas do exército e da polícia (entidades que contam com grande credibilidade no continente europeu).

Para se ter ideia, o rádio aparece com um índice bem superior ao valor registrado pelo sistema judiciário e da administração pública que, junto com a TV, também registram valores positivos.

 

Avanços na audiência de rádio

No início da pandemia, o tudoradio.com chegou a destacar o avanço no consumo de rádio em vários países, com números expressivos no Reino Unido e também na Espanha. Ricardo Henrique deu mais detalhes sobre o avanço visto em vários mercados europeus, atualizando os dados conforme a pandemia evoluiu.

No Reino Unido, por exemplo, as estações da BBC tiveram um incremento de 18% na audiência. No geral, 38% dos ouvintes de estações comerciais aumentaram em 1 hora e 45 minutos o tempo de audição durante a crise da covid-19.

O tempo de audição de rádio também avançou na Espanha, indo de uma média entre 15 minutos e duas horas por dia para 30 minutos e três horas diárias. E, reforçando o resultado do estudo feito em Barcelona, o rádio ampliou a sua audiência coletiva, meio que estava concentrado como um consumo individual.

Na Itália, Ricardo Henrique destaca que o rádio recebeu 2,4% de novos ouvintes durante a crise da covid-19, país que contava já com 84% da população consumindo rádio no período pré-pandemia.

Importante rede de rádios da França, a Radio FranceInfo cresceu em 71% na audiência. A RTL2 FM, rede musical sediada em Paris (pop/rock), disse que registrou seu recorde de audiência, com mais de 2 milhões de ouvintes (Médiamétrie, maio a junho). Já na Alemanha, o crescimento da audiência de rádio foi de 34% durante a pandemia.

 

Mudanças operacionais

Ricardo Henrique também destacou a mudança na rotina operacional das emissoras durante a covid-19. Com mais dificuldades de gerar conteúdo, a TV apostou em reprises.

Já no rádio, o meio ampliou a orientação ao público sobre a pandemia, realizou promoções de ajuda, auxiliando a sociedade. No Reino Unido, por exemplo, as rádios locais da BBC se associaram a grupos de voluntários para ajudar no apoio aos idosos. E na Suíça foi percebida uma maior execução de artistas locais.

Ricardo Henrique lembrou da série de recomendações realizadas pela Ofcom (Office of Communications), autoridade reguladora do setor de radiodifusão no Reino Unido. Esse manual da Ofcom visa combater a desinformação e lembra dos “dados potenciais significativos que podem ser causados por material relacionado ao coronavírus”, como “alegações de saúde relacionadas com o vírus, que podem ser prejudiciais”, “aconselhamento médico que pode ser nocivo” e “material enganoso em programas relacionados com o vírus ou política pública relativa ao mesmo”.

O radialista Ricardo Henrique possui extensa trajetória profissional pelo rádio brasileiro, já tendo atuado por rádios como Transamérica, Jovem Pan FM, Super Rádio Tupi, Rádio Sociedade (atual Itapoan), Rádio Cidade, Nativa FM, entre outras. Hoje, reside na Alemanha e atua pela Resonant Harmonics.